
A tentativa de ruptura institucional que teve seu ápice nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, pode custar caro a Jair Bolsonaro.
E não apenas no sentido simbólico ou político. O impacto pode ser real, mensurável e pesado no bolso do ex-presidente.
Desde que deixou o Planalto, Bolsonaro enfrenta uma sucessão de investigações e processos que avançam em diferentes frentes: criminal, eleitoral, cível e agora também militar.
O que antes era tratado por seus aliados como “retórica inflamada” ou “excesso de apoiadores” passou a ser enquadrado, pelas instituições, como condutas com potencial golpista, capazes de gerar consequências jurídicas concretas.
No campo financeiro, os riscos são evidentes. Multas eleitorais já aplicadas pelo Tribunal Superior Eleitoral, ações de improbidade, indenizações por danos ao patrimônio público e eventuais condenações criminais podem resultar em penhoras, bloqueios de bens e perda de direitos patrimoniais. Some-se a isso a possibilidade de Bolsonaro ser condenado solidariamente por danos causados aos prédios públicos depredados no 8 de janeiro — um prejuízo que ultrapassa dezenas de milhões de reais.
Mas o cenário se agrava ainda mais quando se observa a atuação do Ministério Público Militar, que estuda representar pela declaração de indignidade ou incompatibilidade com o oficialato, o que pode levar à perda da patente militar.
Caso isso ocorra, Bolsonaro deixaria de receber os proventos vinculados à sua condição de capitão reformado do Exército — um impacto direto e permanente em sua renda.
É importante lembrar: não se trata de perseguição política, como tentam vender alguns discursos. Trata-se da aplicação do Estado de Direito.
A democracia cobra seu preço quando é atacada.
A democracia cobra seu preço quando é atacada. E cobra não apenas em votos, reputação ou legado histórico, mas também em responsabilidades jurídicas e patrimoniais.
O 8 de janeiro não foi um evento isolado. Foi o ponto culminante de uma narrativa construída ao longo de anos, marcada pela deslegitimação das urnas, pelo estímulo à desconfiança institucional e pelo flerte constante com soluções autoritárias. Quando esse discurso transborda para a ação, o custo deixa de ser abstrato.
No fim das contas, Jair Bolsonaro pode descobrir da forma mais concreta possível que atacar a democracia sai caro. Muito caro.
E não apenas para ele, mas para qualquer líder que confunda apoio popular com licença para romper regras, leis e instituições.
Aqui, como sempre, vale lembrar:
liberdade política não é salvo-conduto para a irresponsabilidade institucional. E a conta, cedo ou tarde, chega.
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| Texto reprodução do jornal Estado de São Paulo |

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