15/02/2026

ESPAÇO ABERTO

O que aconteceu no caso do homem que matou os próprios filhos e depois tirou a própria vida não é apenas uma tragédia familiar. É o retrato cru de uma fragilidade emocional profunda, misturada com posse, incapacidade de lidar com frustração e uma mente que não suportou o “não”.

Quando alguém não aceita rejeição, separação ou perda de controle, não estamos falando apenas de tristeza. Estamos falando de uma estrutura interna que talvez nunca aprendeu a:

- Elaborar frustração

- Assumir responsabilidade emocional

- Diferenciar amor de posse

- Entender que o outro não é propriedade


Existe um tipo de dor que vira vingança.

E quando a dor se mistura com orgulho ferido, machismo estrutural e sentimento de humilhação, pode nascer algo devastador:

“Se não for do meu jeito, ninguém vai ter.”

 

Isso não é amor.

É controle.

É ego ferido.

É imaturidade emocional em grau extremo.


Há também um padrão cultural perigoso: homens ensinados a não chorar, a não pedir ajuda, a não reconhecer fraqueza. Criados para dominar, não para dialogar. Muitos crescem sem educação emocional, mas com permissão social para explosões. Quando perdem poder dentro da relação, sentem-se anulados como identidade.


Mas nada — absolutamente nada — justifica transformar filhos em instrumento de punição.


Isso é violência vicária.

É usar os filhos para ferir a mãe.

É transformar inocentes em armas.


E agora… falemos dela.


A mulher que ficou.


A mãe.


Ela não perdeu só filhos.

Ela perdeu o chão, o futuro, o sentido do tempo.


E ainda assim, há quem ouse perguntar:

“O que ela fez?”

“Será que provocou?”

“Será que traiu?”


Essa é a segunda violência.

A culpa social jogada sobre quem já está devastada.


Nenhuma escolha afetiva de uma mulher autoriza um homem a matar.

Rejeição não é sentença de morte.

Separação não é autorização para vingança.


A dor dela será eterna.

Existe um tipo de luto que não tem ritual que dê conta.

É uma condenação emocional involuntária.


Espiritualmente falando, há dores que parecem maiores do que o corpo comporta. E nesses momentos, a única saída possível é apoio, acolhimento, rede, silêncio respeitoso e cuidado psicológico contínuo. Não julgamento.

Por Kah Luciano 

Nenhum comentário:

RADIOWEB

AGORA NA

🎙️ Rádio Rogério Alves Notícias – Ao Vivo

▶️ Clique em Ouvir para começar a transmissão.

Radioweb RA Notícias

Radioweb RA Notícias
Clique na imagem para ouvir