25/03/2026

JOSIMAR É UMA VERGONHA PARA O MARANHÃO, MAS O ELEITOR TAMBÉM TEM CULPA.

A condenação do deputado federal Josimar Maranhãozinho a 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, por solicitar propina em troca da destinação de emendas parlamentares ao município de São José de Ribamar, não é apenas mais um capítulo da crônica policial da política brasileira — é um retrato cruel da desigualdade moral e jurídica que revolta o cidadão comum.

Sim, é uma vergonha para a Justiça e para a política brasileira. Não há outro termo.

Um ladrão de milhões, condenado por desviar recursos públicos que deveriam atender à população, cumprindo pena em regime semiaberto, enquanto um ladrão preto e pobre da “trizidela” de Bacabal amarga penas de 10, 12 anos em regime fechado. Essa discrepância escancara um sistema que pesa de forma diferente conforme o sobrenome, o cargo e o poder econômico do réu.

E o absurdo não para por aí.

Mesmo condenado, inelegível, o parlamentar continua recebendo salário, sustentado pelo contribuinte, enquanto cabe à Câmara dos Deputados decidir se é “compatível” cumprir pena e exercer o mandato. 

Ora, desde quando um condenado por corrupção tem qualquer compatibilidade com a função de representar o povo? 

A própria pergunta já é um insulto à inteligência do eleitor brasileiro.


Como se não bastasse, o enredo ganha contornos ainda mais revoltantes com a tentativa de perpetuação familiar no poder. Josimar já articula lançar sua sobrinha, Fabiana Vilar, como sua substituta na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Ao mesmo tempo, sua esposa, Detinha, segue com protagonismo político e ainda aparece cotada para compor chapa como vice-governadora ao lado do prefeito de São Luís, Eduardo Braide.

O que se vê, portanto, não é apenas um caso isolado de corrupção. É um projeto de poder familiar que resiste, mesmo diante de condenações judiciais, sustentado por uma engrenagem eleitoral que insiste em premiar práticas condenáveis.

Diante de tudo isso, a indignação não pode ser apenas momentânea ou restrita às redes sociais. É preciso ir além.

A verdadeira mudança não virá apenas das decisões judiciais ou das manobras institucionais. Ela depende, sobretudo, da postura do eleitor. Em outubro de 2026, o cidadão terá novamente nas mãos a ferramenta mais poderosa da democracia: o voto. E esse voto precisa ser exercido com rigor, consciência e memória.

Chega de relativizar corrupção. 

Chega de aceitar o “rouba, mas faz”. 

Chega de eleger e reeleger os mesmos grupos que transformam a política em negócio de família.

Se o eleitor não mudar, nada muda.

A política brasileira só deixará de ser esse cenário de vergonha quando o voto deixar de ser instrumento de manutenção de poder e passar a ser, de fato, um ato de responsabilidade com o futuro.

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