Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta terça-feira (17), os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) por participação em um esquema de cobrança de propina relacionado à destinação de emendas parlamentares.
Há quem diga que eles foram os "bodes expiatórios" e que tiveram uma condenação leve a ponto de não mobilizar o Congresso, mas suficiente para a imprensar tratar o orçamento secreto como fato julgado.
Na ação penal julgada, o grupo acusado de pedir cerca de R$ 1,6 milhão, a título de propina, em troca da liberação de aproximadamente R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares encaminhadas à saúde do município de São José de Ribamar (MA) era liderado por Josimar do Maranhãozinho.
Além de Pastor Gil e Josimar Maranhãozinho, também são réus o ex deputado federal Bosco Costa (PL), de Sergipe, além de outros cinco investigados, que não são parlamentares, mas que teriam participado do grupo criminoso.
Penas de prisão e multa
O LIDER
Em sua fala, o ministro Cristiano Zanin destacou a participação de Josimar Maranhãozinho como líder do esquema e seus laços com Josival Cavalcanti da Silva, o ‘Pacovan’, que seria o agiota que cobrava as propinas.
“É igualmente importante asseverar que se encontrou, no aparelho celular apreendido do acusado (Josimar), uma série de mensagens entre ele e Pacovan, com explícitas referências a números de processos, nomes de municípios, valores, transferências e comprovantes (...). Então aqui, no diálogo de Pacovan com Josimar Maranhãozinho, o deputado faz referência (...) porque, nessa trama criminosa toda, havia, por parte dos acusados, até a preocupação de que não fosse possível identificar o valor correto para que eles pudessem cobrar as vantagens indevida. Então o deputado Josimar Maranhãozinho, por meio dessa conversa, indica o modus operandi, inclusive para que o valor destinado pudesse ser identificado de plano, a fim de viabilizar a cobrança da vantagem indevida”
Zanin também destacou a participação de Pastor Gil no esquema. O ministro citou conversas com Josimar, extraídas pela Polícia Federal, que mostram como o deputado tinha receio em usar a própria conta bancária para receber valores. Eis o diálogo citado:
Na sequência, os ministros Alexandre de Moraes, Carmen Lúcia e Flávio Dino acompanharam o relator para condenar os réus por corrupção passiva e absolver pelos crimes de associação criminosa.
Entenda o caso
As investigações começaram após denúncia feita em 2020 pelo então prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio, que relatou ter sido pressionado a pagar propina para receber recursos de emendas parlamentares.
A acusação aponta que os valores cobrados correspondiam a cerca de 25% do total destinado ao município.

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