Das raízes históricas, passando pelas glórias do passado, pela força do comércio presente e pela necessidade de uma visão de futuro, Júnior Pacífico de Paula volta ao Espaço Aberto às vésperas do aniversário de Bacabal, com o excelente artigo "Uma breve história de Bacabal".
Até o dia 17 de abril, autoridades e cidadãos bacabalenses terão muito tempo para ler, entender e refletir sobre o tema. Aproveitem a viagem na ótima leitura do artigo:
UMA BREVE HISTÓRIA DE BACABAL
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| Júnior Pacífico de Paula – Engenheiro – Empresário – Ambientalista |
A cidade de Bacabal localizada às margens do Rio Mearim, cujo nome é de origem Tupi, derivado de MBIÁ-R-Y, que significa “Rio do Povo”, foi originalmente povoada pelos índios KRENYÊ da etnia Timbira. Ao longo de mais de cem anos, foram deslocados e
praticamente desapareceram, com a chegada dos primeiros fazendeiros na região.
Bacabal, foi colonizada por imigrantes nordestinos, atraídos pelo solo fértil e por regime bastante regular de chuvas, estes imigrantes fugiram do sertão nordestino sempre seco, em busca da sempre úmida Pré-Amazônia maranhense, onde encontraram em Bacabal, um local ideal para desenvolver a agricultura e principalmente a pecuária.
A nossa região há cem anos apresentava uma vegetação de floresta com árvores de grande porte e algumas poucas palmeiras de babaçu, perdidas numa imensidão verde. Para domar esta terra os primeiros colonos derrubavam a floresta e plantavam o arroz e aproveitavam a terra já beneficiada para plantar o capim. Esta foi a principal atividade econômica de Bacabal
entre as décadas de 50 e 60.
Advindo assim nossa grande vocação para a pecuária, com dezenas de indústrias de beneficiamento de arroz, Bacabal se transformou na maior produtora de arroz do Norte e Nordeste do Brasil. Porém, com a explosão da bovinocultura na região, com os bois substituindo o arroz, não sobravam novas áreas de florestas virgens, buscadas pelos agricultores para a rizicultura (cultura do arroz). Por consequente, as dezenas de usinas de arroz aqui localizadas, eram obrigadas a buscar matéria prima em regiões cada vez mais distantes o que inviabilizou a operação das mesmas. Neste sentido o que aconteceu em Bacabal, foi o mesmo que ocorreu em dezenas de outras cidades do Maranhão e do Sul do Pará.
Bacabal era nesta época (até os anos 70) uma cidade industrial, pois além das dezenas de indústrias de beneficiamento de arroz, algumas de grande porte, a cidade dispunha ainda de quatro indústrias de extração de óleo de babaçu e até uma beneficiadora de algodão.
O caso do algodão é emblemático: em todo nordeste do Brasil se multiplicaram centenas de indústrias de beneficiamento de algodão e indústrias têxteis, estas empresas sucumbiram com o advento das fibras sintéticas, a base de petróleo, numa época que o barril de petróleo custava apenas $3 dólares, em todo o mundo houve uma falência generalizada de beneficiadoras
de algodão.
O caso do babaçu, por sua vez, nos remete a um passado mais recente, nos anos 70 a 80, o óleo de babaçu é um óleo eminentemente industrial, apesar de ser utilizado pela culinária maranhense. Porém graças aos altos teores de ácidos graxos (oléico, linoléico, palmítico e láurico), ele é indispensável na indústria de sabões e sabonetes como também na indústria de panificação e muitos outros segmentos da indústria química. Ocorre que na década de 80, no Sudeste Asiático (Malásia, Indonésia e Filipinas) se começou a plantar de forma racional e com tecnologia agrícola a palmeira de copra (espécie de dendê). O resultado foi impressionante, conseguiu a produção de 22 toneladas de fruto por hectare/ano enquanto o nosso babaçu em regime de extrativismo vegetal se consegue no máximo 1,50 toneladas de coco de babaçu por hectare/ano. Assim sendo, o óleo produzido na Ásia chegava ao Brasil por um preço 70% mais barato. Como consequência praticamente todas as 64 fábricas de extração de óleo de babaçu instaladas no Maranhão, fecharam as portas.
Hoje Bacabal é uma cidade diferente em termos de atividade econômica, deixou de ser uma cidade industrial para tornar-se uma cidade polo de comércio e principalmente de serviços, com uma população flutuante de 400.000 pessoas, em se considerando a população das cidades circunvizinhas que gravitam em torno de Bacabal.
A cidade de Bacabal possui uma população de cerca de 107.000 habitantes com um PIB (toda riqueza produzida em um ano) de R$ 1,90 bilhões de reais. Para efeito comparativo o PIB de Santa Inês é de R$ 1,80 bilhões. Somos a nona maior cidade em população e a décima mais rica. Porém em PIB per capita (a riqueza gerada dividida pela população) somos apenas a 38ª
(trigésima oitava) colocada. De qualquer forma o PIB de Bacabal é maior que o somatório dos PIB’s das cem cidades mais pobres do estado juntas.
É importante destacar que temos a sétima maior frota de veículos do estado, e excluindo
a capital, somos o segundo maior centro de venda de veículos novos e usados, perdendo apenas para Imperatriz. Segundo o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho) Bacabal foi a quinta cidade que mais gerou empregos formais diretos (com carteira assinada) no estado do Maranhão em 2025.
Com uma localização geográfica privilegiadíssima estamos localizados às margens da BR 316, e a uma distância equidistante de São Luís 240 km e Teresina 260 km. Distamos em
35 km da BR 135 que liga São Luís a Teresina e aos outros estados do Nordeste. Estamos a 100 km da BR 222 que liga São Luís a Imperatriz, consequentemente a BR 010 (Belém-Brasília).
Além de estarmos próximos de Fortaleza (CE) 830 km e de Belém (PA) 650 km. A cidade, portanto, tem se destacado como um grande centro de distribuição e logística, tanto que hoje grandes empresas estão localizadas na cidade, tais como: Ambev, Coca Cola, Heineken, Amazon, Armazém Martins e outras, tanto que na cidade estão sediadas duas das maiores empresas de distribuição do Maranhão na área de frios e congelados, que estão entre as cem maiores do Nordeste, além de contarmos com um aeroporto regional.
Bacabal também é um grande polo de educação, contando com colégios conceituados, diversas faculdades além do campus da UFMA, UEMA, IFMA, além do SESI, SENAC e mais recentemente do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).
A cidade vem se destacando também como um grande polo de saúde, com dezenas de hospitais, clínicas e profissionais da área médica, praticamente em todas as especialidades, o que atrai a vinda de pacientes de toda região.
Com um rebanho de 130.000 cabeças de gado, a cidade possui um dos maiores rebanhos do estado na pecuária de corte. Vale destacar a criação de animais de excelência na área de genética.
Urge, portanto, para que a cidade possa dar um grande salto no desenvolvimento, a criação de políticas públicas para atração de empresas, notadamente na área industrial.
Precisamos de um novo e maior distrito industrial e de um urgente plano diretor para que possamos ordenar nosso desenvolvimento urbano.

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