STF ANULA ABSOLVIÇÃO DE ESTUPRADOR.

André de Camargo Aranha, acusado de estuprar a jovem Mariana Ferrer (Foto: Reprodução)

 O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (18) determinar a anulação do processo que absolveu o empresário André de Camargo Aranha da acusação de estupro da influenciadora digital Mariana Ferrer. 


RELEMBRE O CASO.

O fato em julgamento ocorreu  em 2018, na boate Café de La Musique, em Florianópolis e o processo gerou enorme comoção nacional e mudanças legislativas devido a graves falhas no sistema de justiça.

O caso Mariana Ferrer refere-se à denúncia feita pela influenciadora digital Mariana Ferrer, que acusou o empresário André de Camargo Aranha de tê-la dopado e estuprado em 2018, durante uma festa no clube de luxo.

Mariana trabalhava como promoter e alega ter perdido a consciência e a capacidade de reação após ingerir uma bebida oferecida pelo acusado.

 Em 2020, o Ministério Público de Santa Catarina mudou a acusação para "estupro de vulnerável culposo" (quando não há intenção), argumentando que o réu não tinha como saber do estado de vulnerabilidade da vítima. 

O empresário foi absolvido em primeira instância por falta de provas, decisão que gerou revolta pública

Mas o STF anulou tudo e com a decisão, o processo deverá ser julgado novamente pela Justiça de Santa Catarina, e o juiz e o promotor que atuaram no caso não poderão participar do processo. 

O plenário julgou um recurso protocolado pela defesa de Mariana. Ela alegou que as humilhações sofridas durante audiência de instrução do processo, que viralizou nas redes sociais, devem levar à anulação da absolvição.

Durante o depoimento, realizado em 2020, o advogado do acusado questionou as roupas usadas pela influenciadora, sua vida sexual e afirmou que ela posava para fotos em “posições ginecológicas”.

Acompanhe os principais trechos dos Votos no STF

O voto condutor do julgamento foi proferido pelo relator, ministro Alexandre de Moraes.

O ministro disse que Mariana foi humilhada pelo advogado do acusado e alvo de comentários machistas.

“Não há nenhuma dúvida de que houve total desrespeito aos direitos fundamentais da vítima. Houve revitimização, tratamento cruel e desumano. É vergonhoso a forma como a vítima foi tratada durante a audiência”, afirmou.

Segundo Moraes, o depoimento de Mariana foi cerceado pela postura do advogado e a conduta do juiz e do promotor do caso, que não tomaram providências.

“Não houve o depoimento lícito da vítima. Se uma das provas mais importantes em crimes sexuais é o depoimento da vítima, nós temos um problema. Não tenho nenhuma dúvida de que a audiência é nula”, completou.

Em seguida, Luiz Fux criticou o juiz do caso e disse que ele “não nasceu para a magistratura”.

“Vi uma cena que nunca imaginei na minha vida. Um magistrado assistir passivamente a agressão de uma pessoa que foi vítima”, comentou. 

O entendimento do relator também foi seguido pelos ministros Nunes Marques, Dias Toffoli, Flávio Dino, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin. 

Cármen Lúcia 

A ministra Cármen Lúcia, única mulher na Corte, disse que o caso chama atenção pela “conduta imoral e inconstitucional” do juiz do caso. 

“Onde o preconceito fala, a Justiça cala. Não tenho dúvida de que, em numerosíssimas situações, nós mulheres somos culpadas e condenadas porque somos o que somos e gostamos de ser”, afirmou. 

A ministra também acrescentou que as vítimas de estupro são desencorajadas a denunciar os casos por vergonha.

“O número [alto] de mulheres que sofrem estupro e não denunciam é porque a gente tem vergonha, fica sem saber que comportamento adotar. Para falar com o parceiro, a gente tem medo da reação do outro”, completou. 

Defesa 

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