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À meia-noite e sob a sombra do Palácio:

 

À meia-noite e sob a sombra do Palácio: eleição da Câmara expõe a velha lógica do poder no Maranhão.



Por Rogério Alves.

A eleição para a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de São Luís deveria ser um assunto essencialmente da capital. Deveria discutir independência do Legislativo, transparência, fiscalização da Prefeitura, funcionamento da Casa e a relação dos vereadores com a população que os elegeu.

Mas, no Maranhão, até uma eleição interna de Câmara Municipal consegue ser tragada pela disputa pelo Palácio dos Leões.

A sucessão do presidente Paulo Victor (PSB) transformou-se em mais uma peça do enorme tabuleiro político montado em torno da eleição para governador. E o simbolismo da data escolhida dificilmente poderia ser maior: os vereadores vão eleger o presidente da Câmara para o biênio 2027-2028 às 00h01 do dia 1º de outubro, apenas três dias antes do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro.

O horário consta no edital oficial publicado pela Câmara. As chapas poderão ser registradas até 23h31 do dia 30 de setembro. A nova Mesa terá nove integrantes.

Pode estar tudo dentro das regras. Mas política também é feita de símbolos.

E uma Câmara decidindo quem comandará um dos poderes da capital nos primeiros minutos da madrugada, em plena reta final da eleição para governador, certamente produzirá uma fotografia peculiar da democracia ludovicense.

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