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Dois maranhenses são candidatos a presidência da República

 

Hertz Dias (PSTU) e Edmilson Costa (PCB) disputarão as eleições presidenciais de 2026, marcando a primeira vez que dois maranhenses concorrem simultaneamente

Dois maranhenses na disputa pelo Planalto

As eleições presidenciais de 2026 entrarão para a história política do Maranhão. Pela primeira vez desde a redemocratização do país e a retomada das eleições diretas para presidente da República, dois maranhenses disputarão simultaneamente o Palácio do Planalto como candidatos titulares. Hertz Dias, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), e Edmilson Costa, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), tiveram seus nomes homologados nas convenções nacionais de suas legendas, consolidando um feito inédito para o estado.

O marco amplia a participação maranhense no cenário político nacional e representa um momento singular para um estado que, embora tenha exercido influência em diferentes momentos da história da República, sempre teve participação limitada nas disputas diretas pelo principal cargo do Executivo federal.

As convenções partidárias que oficializaram as candidaturas foram realizadas em São Paulo e encerraram a etapa interna de definição dos nomes.

Agora, os partidos têm até o dia 15 de agosto para protocolar o registro das candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Após esse processo, a campanha eleitoral inicia oficialmente em 16 de agosto, quando candidatos poderão realizar atos públicos, propaganda eleitoral e atividades de rua.

Embora integrem partidos distintos, Hertz Dias e Edmilson Costa compartilham uma característica política comum: ambos representam legendas historicamente posicionadas no campo da esquerda socialista e disputarão a eleição em chapas puras, sem alianças com outras siglas.

Hertz Dias construiu sua trajetória conciliando a atuação como professor de História da rede pública estadual do Maranhão com o ativismo cultural e político. Também é rapper e um dos fundadores do grupo de rap quilombola Gíria Vermelha, tendo sua militância concentrada nos movimentos negro, sindical, estudantil e das periferias urbanas.

Sua projeção nacional começou em 2018, quando foi escolhido pelo PSTU para ocupar a candidatura a vice-presidente da República na chapa encabeçada por Vera Lúcia. Naquele pleito, o partido apresentou uma chapa formada integralmente por candidatos negros, considerada um símbolo da defesa das pautas antirracistas da legenda. Já em 2022, Hertz disputou o Governo do Maranhão.

Em 2026, o PSTU volta a apostar em seu nome, desta vez para liderar a chapa presidencial. A candidata à vice-presidente é Vanessa Portugal, professora mineira e dirigente sindical da educação. O programa defendido pelo partido propõe uma alternativa socialista voltada para a classe trabalhadora, enfatizando a independência política em relação aos governos e às forças tradicionais.

Maranhão teve apenas um presidente do Brasil

Edmilson Costa, por sua vez, nasceu em Pedreiras, no Maranhão, e possui uma trajetória consolidada no movimento comunista brasileiro. Economista, cientista político, doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), professor universitário e secretário-geral do PCB, tornou-se uma das principais referências nacionais da legenda.

Sua experiência eleitoral inclui candidaturas ao Governo de São Paulo, em 2010, e à Prefeitura da capital paulista em pleitos anteriores. Em 2026, assume a condição de candidato à Presidência da República tendo como companheira de chapa Cleusa Santos, professora reconhecida por sua atuação nos movimentos sociais e no movimento negro.

O programa defendido pelo PCB propõe mudanças estruturais na organização do Estado brasileiro. Entre as principais medidas estão a estatização do sistema financeiro, a suspensão do pagamento da dívida pública, a reestatização de empresas privatizadas, a extinção do Senado Federal e uma política externa baseada na defesa de países submetidos a sanções consideradas imperialistas pelo partido.

Apesar da relevância histórica do Maranhão na política nacional, a presença de maranhenses na disputa direta pela Presidência sempre foi exceção. O estado teve como principal representante José Sarney, natural de Pinheiro, que governou o país entre 1985 e 1990. Entretanto, sua chegada ao Palácio do Planalto ocorreu por circunstâncias excepcionais.

Na eleição indireta de 1985, realizada pelo Colégio Eleitoral durante a transição do regime militar para a democracia, Sarney foi eleito vice-presidente na chapa liderada por Tancredo Neves. Com o adoecimento e a morte de Tancredo antes da posse, assumiu a Presidência da República e conduziu um dos períodos mais importantes da redemocratização brasileira, marcado pela convocação da Assembleia Nacional Constituinte e pela promulgação da Constituição Federal de 1988.

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 2002, quando a então governadora Roseana Sarney despontou como uma das principais pré-candidatas à Presidência da República pelo então PFL. Naquele momento, liderou pesquisas de intenção de voto e chegou a polarizar o cenário eleitoral com Luiz Inácio Lula da Silva.

No entanto, a candidatura foi retirada antes das convenções partidárias após a crise política desencadeada pela Operação Lunus, encerrando a possibilidade de o Maranhão voltar a disputar diretamente a Presidência naquele pleito.

O próprio Hertz Dias também possui um antecedente histórico. Em 2018, colocou novamente um maranhense em uma chapa presidencial ao disputar o cargo de vice-presidente pelo PSTU. Ainda assim, a candidatura era para a vice-presidência, não para o comando da chapa.

Nesse contexto, o pleito de 2026 rompe um paradigma da representação política maranhense. Pela primeira vez, dois políticos nascidos no estado aparecem simultaneamente como candidatos titulares ao Palácio do Planalto, ambos defendendo projetos próprios de governo e participando diretamente do debate nacional.

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