Hoje, quem decide é o povo
O Brasil chega a este domingo, 4 de outubro, vivendo mais uma vez a expectativa e a tensão próprias de uma eleição presidencial.
De um lado, os eleitores que desejam a continuidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; de outro, aqueles que depositam em Flávio Bolsonaro a expectativa de mudança no comando do país. As pesquisas divulgadas na véspera mostram uma disputa concentrada principalmente nesses dois nomes, mas somente as urnas poderão determinar o verdadeiro tamanho de cada candidatura.
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| Por Kleber Sales Coluna Sinais Particulares - Estadão |
Em ambos os campos existe confiança. Há eleitores de Lula acreditando na possibilidade de definição ainda no primeiro turno, assim como há apoiadores de Flávio Bolsonaro alimentando expectativa semelhante. É natural. Eleição também é feita de esperança, mobilização e convicção.
Mas a democracia brasileira é maior do que qualquer candidato e não deveria se resumir permanentemente a uma disputa entre apenas dois grandes campos políticos.
Independentemente de quem esteja na liderança, um dos aspectos interessantes da votação de hoje será observar o desempenho das demais candidaturas. Embora eu não acredite nisso na atual conjuntura brasileira, a existência de alternativas competitivas é saudável para qualquer democracia.
Quanto maior a diversidade de ideias, projetos e lideranças capazes de dialogar com parcelas significativas da sociedade, maior também a possibilidade de o debate público escapar da lógica segundo a qual o eleitor precisa estar obrigatoriamente de um lado ou do outro.
Pluralidade política não significa ausência de divergências. Pelo contrário. Democracia pressupõe divergência, confronto de ideias e liberdade para escolher. O problema surge quando a diferença política deixa de ser tratada como algo natural e passa a transformar o adversário em inimigo.
Por isso, mais importante do que saber se haverá definição neste domingo ou necessidade de um segundo turno é observar como o país reagirá ao resultado.
A regra democrática é simples: vence quem recebe a quantidade de votos exigida pela Constituição e pela legislação eleitoral. Para que a eleição presidencial termine no primeiro turno, é necessário que um candidato obtenha mais da metade dos votos válidos; caso isso não aconteça, os dois mais votados disputarão o segundo turno.
Quem vencer terá recebido do eleitorado o direito de governar. Quem perder terá o direito de fazer oposição. E todos continuarão tendo o dever de respeitar as instituições e a vontade popular.
Uma democracia demonstra sua força não apenas quando o cidadão deposita o voto na urna, mas principalmente quando vencedores e derrotados compreendem que o resultado eleitoral precisa ser respeitado.
Hoje, portanto, a palavra não pertence aos partidos, aos candidatos ou às pesquisas.
A palavra pertence ao povo brasileiro.
Eu sou Rogério Alves e acredito na soberania popular, apesar de tudo.


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