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ESPAÇO ABERTO

O espaço aberto dessa semana serve como reflexão para o cidadão que teima em repetir os modelos históricos de dependência SERVO - SENHOR. 

Júnior de Paula faz um alerta sobre a necessidade de mudar esse modelo para se buscar o desenvolvimento, fazendo uma provocação contra a atual polarização política que não consegue perceber que o desenvolvimento econômico precisa de mais igualdade social

Tenham uma boa leitura e uma boa semana.


Júnior Pacífico de Paula – Engenheiro – Empresário – Ambientalista


AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS E O MARANHÃO

As capitanias hereditárias foram a forma que a coroa Portuguesa encontrou em 1530, para desenvolver e povoar o Brasil e evitar invasões de outras nações, que vislumbravam no Brasil um grande potencial de geração de riquezas e Portugal já não tinha condições financeiras para colonizar este enorme país. Para tanto o Brasil foi dividido em 15 capitanias, cujos capitães donatários eram escolhidos entre os nobres portugueses leais a coroa. Uma das características destas capitanias era a hereditariedade, ou seja, elas deveriam ficar na posse da família para o sempre, passando a sucessão de pais para filhos.

Assim como as capitanias hereditárias, a política do Maranhão tem o mesmo sistema, é emblemático como a sucessão dos mandatários políticos sempre passa para alguém da família ou pessoa leal e intimamente ligada a mesma. Nesta recente eleição municipal fica claro esta tendencia, basta verificar o sobrenome dos candidatos eleitos e não eleitos, existe de maneira clara uma ligação familiar com atuais prefeitos ou prefeitos anteriores.

A alternância de poder é um princípio republicano de fundamental importância na democracia, pois evita a criação de um sistema autocrático de Poder, evita o monopólio político de uma família ou um grupo, que em se perpetuando no poder aniquila outras novas forças políticas, que têm outros pensamentos, novas ideias e projetos, para desenvolver um país, um estado ou um município.

A revolução Francesa preconizou através de seu grande ícone VOLTAIRE que "a desigualdade social deve ser combatida acima de tudo". O Maranhão detém os piores indicadores sociais do país, na educação, na saúde, na habitação e no saneamento básico. O estado consegue a proeza de estar sempre em último ou penúltimo lugar no ranking nacional que analisa estes indicadores.

O Estado precisa passar por uma revolução, que seja capaz de quebrar os elos da corrente histórica e estrutural a pobreza extrema, talvez o primeiro elo seja exatamente a mudança dos mandatários (capitães donatários), das castas familiares que dominam o estado.

Precisamos de novas ideias, de novas formas ne administrar e planejar o estado e os municípios, é preciso oxigenar o poder, pois se fizermos sempre as mesmas coisas, colheremos sempre os mesmos resultados.

A mudança de poder é necessária para que prevaleça a meritocracia, temos que escolher os melhores planos e projetos e deixar de lado as mediocridades que assumem o poder apenas pelo DNA.

Luís XIV Rei da França, o rei Sol, dizia: L'État c'est Moi (o estado sou eu), quando um grupo político fica milito tempo no governo, tendo o monopólio absoluto e concentrado de Poder, não há divergências de ideias, pois todos passam a concordar com o "Rei", numa monarquia o rei está sempre certo e todos concordam com sua forma de governar, gerando sempre um governo tendencioso, obtuso e geralmente corrupto, não queremos ser súditos desta monarquia, pois urge a necessidade de uma mudança radical na forma e no jeito de fazer política no estado, para assim torná-lo menos desigual e com oportunidades para todos e VIVA LA REVOLUCIÓN.

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