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ESPAÇO ABERTO

As eleições estão a poucos dias e nenhum especialista arrisca palpitar sobre quem será o futuro presidente do Brasil e o governador do Maranhão. Igualmente imprevisíveis são as disputas do Senado e da Câmara. 

A coluna do jornalista Raimundo Borges, de O Imparcial, fala exatamente sobre esse universo da dúvida e da incerteza.

A discrepância sobre as pesquisas de intenção de voto, mesmo com atualizadas metodologias tecnológicas adotadas pelos institutos, ainda assim, não há como os candidatos ou eleitores saber quem está mais perto do mandato pretendido. No Brasil existem 71 institutos de pesquisa indagando os eleitores, presencialmente ou por telefone, sobre suas preferências, mas tanto na eleição presidencial entre Lula e Flávio; e na estadual entre Orleans e Braide, eles aparecem tecnicamente empatados.

Em 2026, pelo menos 761 pesquisas nacionais e estaduais já foram realizadas com abordagens para todos os sentidos da vida moderna: cor, região, religião, escolaridade, idade, renda, gênero, etc. Seguem discrepando sobre o que mais interessa e o que pensa cada eleitor sobre os candidatos, governança e propostas para o futuro. Com tantas empresas pesquisando o voto, significa que está havendo um boom no mercado como nunca se viu antes nessa corrida para aferir a intenção do público. Principalmente pelo modo das sondagens telefônicas realizadas a pedido, em boa parte, de bancos de investimento. 

Temas como inflação, emprego, industrialização do Brasil, PIB e inteligência artificial estão perdendo espaço na campanha presidencial para, por exemplo, as bets, que entraram no foco da disputa envolvendo o governo Lula, times de futebol e a oposição, defensores da jogatina eletrônica. As bets drenam bilhões de reais da economia brasileira, impactam fortemente o consumo das famílias e a arrecadação pública. Dados recentes indicam que o jogo de apostas reduz 0,7% do faturamento do comércio, de cada R$ 1 bilhão arrecadado. O prejuízo tributário é imenso pelo número de empresas legais e clandestinas atuando como querem.

Fora desse debate de proibir ou permitir as bets, as eleições escancaram ainda a interferência dos Estados Unidos a favor de Flávio Bolsonaro (PL). Durante as negociações entre os governos do Brasil e estadunidense sobre tarifaço, a gestão de Trump enviou ao chanceler Mauro Vieira um documento com lista de exigências, entre elas a de que o país permitisse que “dissidentes políticos” concorressem às eleições de 2026. O Itamaraty rejeitou o texto por considerá-lo “absurdo”. Os tais “dissidentes”, em linguagem cifrada, seriam, na verdade, apenas um, que está preso: Jair Bolsonaro. Depois ele acusou o Brasil de falhar no combate ao PCC e Comando Vermelho, tido por Trump como grupos terroristas.

Com tão pouco tempo e o país encalacrado na polarização entre Lula e Flávio e, no âmbito estadual entre Eduardo Braide e Orleans Brandão, qualquer projeção, hoje, sobre vitória no primeiro turno não tem base real que a justifique. 

Mas têm precedentes históricos a considerar: no Maranhão, o governador só perdeu eleição em 1965 com o candidato de Newton Bello, Costa Rodrigues, derrotado pelo opositor José Sarney; e em 1986, quando Luiz Rocha ficou acuado no Palácio dos Leões até o fim do mandato e sofreu a derrota acachapante de 81% dos votos para Epitácio Cafeteira, apoiado por Sarney. No âmbito federal, até Michel Temer, que ajudou golpear Dilma Rousseff em 2016, elegeu Jair Bolsonaro em 2018.

Agora Lula da Silva tem o desafio histórico de, aos 80 anos, vencer a quarta eleição do Planalto, ou perdê-la para Flávio, cujo projeto de vida é derrotar o petista que mandou seu pai para casa, em 2022, no exercício do cargo. No Maranhão, o governador Carlos Brandão (MDB) quer marcar a história política, elegendo o sobrinho Orleans, o que significa derrotar o grupo de Flávio Dino, e consolidar o brandonismo.

Por sua vez, Eduardo Braide é desafiado por si mesmo para ser o primeiro prefeito de São Luís e chegar ao Palácio dos Leões pelo voto direito, sem integrar nenhum grupo estadual.

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