POR ROGÉRIO ALVES Desde a madrugada, o mundo acordou com os olhos voltados para a Venezuela. O anúncio de um ataque dos Estados Unidos, seguido da declaração de Donald Trump de que Nicolás Maduro estaria preso, junto com sua esposa, sacudiu a geopolítica internacional e recolocou a América Latina no centro do tabuleiro global.
O presidente Lula posicionou-se contra os ataques, afirmando que o Brasil defende a soberania dos povos e a não intervenção externa. O discurso é coerente com a tradição diplomática brasileira — mas não deixa de causar estranhamento quando lembramos que essa mesma firmeza não foi adotada diante da invasão russa à Ucrânia. A seletividade moral, no cenário internacional, quase sempre denuncia mais interesses do que princípios.
É preciso dizer sem rodeios: a Venezuela é uma ditadura. Uma ditadura sustentada por fraudes eleitorais recentes, por repressão política e pela supressão sistemática das liberdades civis. Maduro não se mantém no poder por liderança legítima, mas pela força do aparelho estatal e pelo silêncio — ou conivência — de parte da comunidade internacional.
A grande questão agora é incômoda, mas inevitável:
apoiaremos a nova face do imperialismo americano, embalado pelo “Make America Great Again”, ou permaneceremos presos a uma leitura rígida dos princípios internacionais da Constituição de 1988?
Não há ingenuidade possível. O petróleo venezuelano está no centro dessa equação. Sempre esteve. Fingir que não há interesse econômico seria infantil. Mas também é desonesto ignorar que não existe liberdade sem demonstração de força, assim como, não há democracia sem liderança legítima.
Os meios podem — e devem — ser questionados. Intervenções externas nunca são moralmente confortáveis. Mas o fim da ditadura de Nicolás Maduro, se confirmado, representa um alívio para milhões de venezuelanos e para um continente que há anos convive com uma ferida aberta bem ao seu lado.
Gostemos ou não, apenas os Estados Unidos teriam capacidade real de provocar essa ruptura, e fazê-lo de forma rápida, sem o colapso total do país e sem um cenário prolongado de violência interna.
A história não costuma ser gentil com os puristas. Ela costuma ser escrita por quem age.
E, às vezes, entre o ideal e o possível, o possível salva vidas.
Aqui, você diz o que pensa.
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