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PENSE COMIGO. RÚSSIA X UCRÂNIA.

 

A guerra que poderia ter terminado em três meses

Quando a guerra entre Rússia e Ucrânia começou, em fevereiro de 2022, eu afirmava que seria um conflito rápido. 

Passados mais de quatro anos, o mundo continua assistindo a uma guerra prolongada, custosa e devastadora. No entanto, existe uma hipótese pouco discutida no debate público: o conflito poderia ter terminado ainda nos primeiros meses.

Nos três primeiros meses da guerra, a Rússia alcançou ganhos territoriais relevantes. As forças russas consolidaram o controle sobre grande parte da região do Donbass, incluindo áreas das regiões de Donetsk e Luhansk, além de estabelecer um corredor estratégico ligando o território russo à Crimeia. 

A tomada da cidade portuária de Mariupol teve enorme significado militar e simbólico, pois garantiu à Rússia o domínio completo do Mar de Azov e reforçou a ligação territorial com a península da Crimeia, anexada em 2014.

Do ponto de vista militar e estratégico, Moscou já havia obtido naquele momento aquilo que muitos consideram os seus objetivos essenciais: 

consolidar o controle sobre territórios do leste ucraniano com população majoritariamente russófona e garantir um corredor terrestre até a Crimeia.

Era, portanto, um momento plausível para uma negociação de cessar-fogo.

Mas isso não aconteceu.

A partir daquele momento, o conflito deixou de ser apenas uma guerra entre dois países e passou a se transformar em uma guerra geopolítica de desgaste. Estados Unidos e países da Europa passaram a fornecer à Ucrânia recursos financeiros massivos, armamentos cada vez mais sofisticados e apoio logístico e de inteligência.

Ao mesmo tempo, foram impostas duras sanções econômicas contra a Rússia: congelamento de ativos internacionais, exclusão de bancos russos de sistemas financeiros globais e embargos comerciais em diversos setores.

O objetivo declarado era apoiar a defesa da soberania ucraniana. Mas há também uma dimensão estratégica evidente: 

manter a Rússia presa a um conflito prolongado, drenando seus recursos militares e econômicos e limitando sua capacidade de projeção internacional.

A Europa, por sua vez, também encontrou na guerra uma oportunidade política para reorganizar sua segurança coletiva, reforçar a coesão da OTAN e reduzir sua dependência energética de Moscou.

Já a China observa o conflito a partir de uma lógica diferente. Pequim evita envolvimento direto, mas colhe benefícios indiretos importantes. A Rússia, pressionada por sanções ocidentais, tornou-se mais dependente do mercado chinês para vender energia e adquirir tecnologia. Ao mesmo tempo, Pequim acompanha atentamente a reação do Ocidente, estudando o impacto das sanções e o comportamento das alianças militares internacionais.

Assim, o que poderia ter sido um conflito curto transformou-se em um confronto prolongado entre grandes interesses geopolíticos.

Hoje, a Ucrânia continua sendo o campo de batalha, mas o verdadeiro jogo estratégico envolve muito mais atores. Para os Estados Unidos e parte da Europa, a guerra serve para conter a Rússia. Para a Rússia, trata-se de resistir à pressão de um bloco ocidental muito mais amplo. Para a China, o conflito revela oportunidades estratégicas e lições sobre a dinâmica do poder global.

A guerra da Ucrânia tornou-se, portanto, um exemplo claro de como conflitos regionais podem ser transformados em disputas prolongadas entre potências.

E a pergunta que inevitavelmente permanece é: quantas vidas poderiam ter sido poupadas se a guerra tivesse terminado quando seus objetivos iniciais já haviam sido alcançados?

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