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Família dividida: briga ou estratégia?

 

Foto: Reprodução do blog do Lucas Moura

A sucessão estadual de 2026 ganhou um novo ingrediente político com a manifestação pública do ex-prefeito de Matões e ex-secretário de Estado de Articulação Política, Rubens Pereira, que anunciou apoio às candidaturas de André Fufuca (PP) e Hilton Gonçalo (Mobiliza) ao Senado Federal. 

A declaração chamou atenção porque contrasta com a posição oficial do Partido dos Trabalhadores, legenda da qual seu filho, o deputado federal Rubens Pereira Júnior, é uma das principais lideranças nacionais.

Rubens Pereira foi integrante do primeiro escalão do governo Carlos Brandão e, durante meses, evitou declarar preferência na disputa majoritária. Ao anunciar seus votos para o Senado, afirmou que acompanhou atentamente a formação das chapas antes de tomar sua decisão, acrescentando que, em momento oportuno, também revelará seu candidato ao Governo do Estado.

A posição do pai contrasta com o cenário vivido pelo filho. 

Rubens Pereira Júnior é deputado federal pelo PT, ocupa a vice-presidência nacional da legenda e busca a reeleição. O partido, por sua vez, mantém como projeto eleitoral no Maranhão a candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado e trabalha para a reeleição da senadora Eliziane Gama, que tem denunciado publicamente as dificuldades enfrentadas para consolidar sua candidatura.

Nas últimas semanas, Rubens Júnior também passou a ocupar o centro das atenções após aparecer em um evento ao lado do pré-candidato ao Governo, Eduardo Braide (PSD). A participação provocou reações dentro do próprio PT, que reafirmou seu apoio oficial à pré-candidatura de Felipe Camarão ao Palácio dos Leões.

A soma desses episódios alimenta uma pergunta inevitável nos bastidores da política maranhense: 

a família Pereira está realmente dividida ou adota uma estratégia para manter diálogo com diferentes campos políticos?

Até o momento, Rubens Pereira Júnior não anunciou apoio público às candidaturas de André Fufuca e Hilton Gonçalo para o Senado, tampouco rompeu com a orientação oficial do PT. Já o pai fez questão de tornar pública sua opção eleitoral, reforçando a percepção de que segue um caminho político próprio.

No Maranhão, onde alianças frequentemente se reorganizam durante o período pré-eleitoral, movimentos como esse costumam ser analisados sob diferentes perspectivas. Para alguns observadores, trata-se de independência política entre pai e filho. Para outros, pode representar uma estratégia para preservar canais de interlocução com diferentes grupos, em um cenário que ainda está longe de ser definitivo.

Se há uma divisão familiar genuína ou apenas uma distribuição estratégica de posições, somente o desenrolar da campanha e a definição das alianças até as convenções partidárias poderão responder. Até lá, a família Pereira permanece no centro das especulações da política maranhense.

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