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Alcolumbre manda recado ao governo. Vamos votar o voto ao PL da Dosimetria.

 Assista ao vídeo 📹 

O  tema envolve técnica legislativa, articulação política e um pano de fundo institucional bastante sensível.


O que acontece se o Congresso derrubar o veto ao PL da dosimetria?

O veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser derrubado em sessão conjunta do Congresso Nacional.

👉 Para isso, são necessários:

  • 257 votos na Câmara
  • 41 votos no Senado

Se esses números forem alcançados:

➡️ O veto é derrubado
➡️ O projeto vira lei imediatamente, sendo promulgado pelo presidente do Congresso, hoje Davi Alcolumbre

Em caso de aprovação o texto passa a produzir efeitos jurídicos — no caso, revisão/atenuação de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro, o que pode beneficiar condenados, inclusive figuras politicamente relevantes, como o ex-presidente Bolsonaro e o general Braga Neto.

⚖️ Importante: mesmo virando lei, a aplicação concreta ainda pode ser discutida no STF, que tem a palavra final sobre as condenações.

📊 Qual a posição de Alcolumbre?

A posição pública de Davi Alcolumbre é, oficialmente, institucional e cautelosa:

  • Diz que quer votar o veto “o mais rápido possível”
  • Mas não marcou data, o que mantém o tema sob controle político
  • A pauta depende dele, já que cabe ao presidente do Congresso convocar a sessão

Além disso, ele nega qualquer acordo político envolvendo o veto, porém, há relatos de bastidores de que o tema estaria inserido em negociações mais amplas.

Não se pode negar que Alcolumbre  controla o timing, e evita assumir posição explícita e mantém margem de negociação.

Opinião 

Por Rogério Alves 

O debate sobre o chamado “PL da dosimetria” expõe mais do que uma divergência jurídica sobre penas: revela o funcionamento real do poder em Brasília.

Em tese, seria apenas uma discussão legítima sobre proporcionalidade penal, mas na prática, o que se vê é o velho debate ligado ao chamado "atos (ou golpe) de 8 de janeiro , sendo usado como moeda de troca dentro do Congresso Nacional.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantém o controle da pauta e, com isso, controla o tempo político. 

Diz que quer votar “o mais rápido possível”, mas não marca a sessão. No presidencialismo de coalizão brasileiro, tempo é poder — e poder, quase sempre, é negociação.

Embora negados oficialmente, os relatos de bastidores apontam para uma dinâmica preocupante: a votação de temas institucionais distintos — como veto da dosimetria, presidencial, instalação de CPI e até eespaçosem cargos no governo — estão em um mesmo pacote de barganha.

Esse tipo de prática não é novidade, mas ganha contornos mais graves quando se aproxima de dois núcleos sensíveis da República: o Supremo Tribunal Federal e a estrutura do Executivo.

Quando a discussão sobre quem será ministro do STF ou quem ocupará cargos após uma reforma ministerial passa a dialogar com a votação de um projeto que pode alterar penas de condenados por ataques à democracia, o problema deixa de ser apenas político. Torna-se institucional.

O risco é evidente: cria-se a impressão de que decisões fundamentais — legislativas, judiciais e administrativas — não seguem critérios republicanos, mas sim arranjos circunstanciais de poder.

E mais: fragiliza-se a confiança pública no sistema. 

Não se trata de negar a política — negociar é parte dela. Mas há uma linha tênue entre articulação legítima e troca indevida de interesses que deveriam permanecer separados.

Quando essa linha é ultrapassada, o que está em jogo já não é apenas um veto ou um projeto de lei. É a própria credibilidade das instituições.


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