05/04/2026

ALAGAMENTOS NO RIO MEARIM:

TRAGÉDIA ANUNCIADA OU FALÊNCIA DO PODER PÚBLICO?

Todos os anos, o mesmo cenário se repete às margens do Rio Mearim: famílias ilhadas, casas invadidas pela água, móveis perdidos, doenças e abandono.

A pergunta que precisa ser feita — e que poucos têm coragem de responder com honestidade — é simples: 

estamos diante de um fenômeno natural inevitável ou de uma tragédia produzida pela omissão do poder público?

A resposta é incômoda, mas necessária: as enchentes são naturais; o sofrimento humano não é.

O PROBLEMA NÃO É O RIO — É A OCUPAÇÃO

O Rio Mearim sempre teve seu ciclo de cheias e isso faz parte da dinâmica ambiental. O que mudou foi a forma como o homem passou a ocupar suas margens.

Ao longo dos anos, permitiu-se — por omissão ou conveniência política — a ocupação desordenada de áreas que sempre foram de várzea, ou seja, naturalmente inundáveis. Em Bacabal, temos um bairro inteiro, com infraestrutura boa, com escolas, postos de saúde, comércio pujante, mas zero de planejamento urbano.

Não se trata de culpar quem mora nessas áreas. Pelo contrário: trata-se de reconhecer que essas populações foram mantidas no local pela própria política habitacional, que incentiva a moradia subhumana ao lado de moradias dignas.

O CICLO DA HIPOCRISIA

O roteiro é sempre o mesmo: chove intensamente, o rio sobe, as casas alagam e o poder público aparece com cestas básicas e abrigos provisórios. A  imprensa noticia, a comoção passa e tudo é esquecido até a próxima cheia.

Esse ciclo revela não apenas ineficiência, mas uma verdadeira política da emergência, que substitui o planejamento pela improvisação o assistencialismo paternalista.

O QUE DEVERIA SER FEITO (E NÃO É)

Existem soluções sim. Elas são conhecidas, estudadas e aplicadas em várias partes do mundo:

  • Construção de diques e contenções
  • Dragagem do leito do rio
  • Sistemas eficientes de drenagem urbana
  • Preservação das margens e combate ao assoreamento

Mas isso é caro e não podemos fazer agora, dirão os políticos. Ebo pior, nenhuma dessas medidas será suficiente sem enfrentar o ponto central: a permanência de famílias em áreas de risco.

A DECISÃO QUE NINGUÉM QUER TOMAR

A medida mais eficaz — e mais impopular — é o reassentamento dessas famílias. Retirar pessoas de áreas onde construíram suas vidas exige planejamento sério, investimento em habitação e respeito à dignidade humana. O bairro Novo Bacabal surgiu como projeto habitacional para realocar os desabrigados das cheias do Mearim em Bacabal, mas não houve uma desapropriação e reestruturação urbana na Trizidela e a população voltou para as margens do rio.

O poder público permitiu, porque remover famílias não dá voto imediato. Já distribuir ajuda emergencial, sim.

Não se pode negar a importância da ajuda emergencial. Ela é necessária em momentos de crise, mas ela não pode ser a única resposta. Quando o Estado atua apenas depois da tragédia, ele deixa de ser solução e passa a ser cúmplice do problema.

Enquanto não houver planejamento urbano sério, investimento contínuo e responsabilidade política, o drama das margens do Rio Mearim continuará sendo tratado como fatalidade.

Mas fatalidade não é. É resultado de escolhas e toda escolha — inclusive a omissão — tem consequências. A pergunta que fica é:

até quando a população de Bacabal  continuará pagando o preço dessa negligência?

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