Bacabal, um povo anestesiado por vídeos, dancinhas e promessas
Existe algo profundamente errado acontecendo em Bacabal. E o problema não é apenas a deficiência da gestão pública. O problema maior talvez seja a perigosa acomodação de parte da população diante do abandono administrativo mascarado por videos do prefeito e suas dancinhas, viralizados nas redes sociais.
A política de mídia implantada pelo prefeito Roberto Costa parece ter descoberto a fórmula perfeita da popularidade: vídeos bem editados, presença constante nas redes sociais, sempre cercado de jovens,, fazendo passinhos de dança e beijando crianças e idosos. Uma máquina de comunicação eficiente o suficiente para esconder aquilo que a população sente diariamente nas ruas, nas torneiras e no bolso.
Roberto Costa se elegeu prometendo resolver um dos problemas mais humilhantes para os moradores do centro da cidade: a lama que sai das torneiras. Passaram-se 16 meses de governo e a população continua convivendo com água barrenta, indignidade e silêncio. A promessa virou propaganda esquecida.
Mas o problema não para aí.
Bacabal continua mergulhada em desorganização urbana. O trânsito é caótico. Animais continuam circulando livremente pelas ruas, colocando em risco motociclistas, motoristas e pedestres. A limpeza dos meios-fios e calçadas, algo elementar em qualquer administração minimamente eficiente, inexiste em vários pontos da cidade. O abandono virou a paisagem da cidade.
E o matadouro municipal?
A situação é revoltante. O mesmo matadouro cuja interdição foi defendida por Roberto Costa, no período em que se fazia de aliado do então prefeito Zé Alberto, hoje funciona em condições degradantes. Falta estrutura digna. Falta higiene. Falta respeito. Nem uma caldeira decente existe no local. O discurso moralizador do passado desapareceu diante da conveniência do poder.
A transparência administrativa, que já era uma marca negativa da gestão Edvan Brandão, continua sendo tratada como detalhe irrelevante. Obras sem placas. Gastos sem clareza. Contratos milionários da iluminação pública cercados de escuridão administrativa. Quem recebe? Quanto recebe? Qual empresa presta o serviço? Onde estão as informações acessíveis ao cidadão?
A prefeitura se transforma, perigosamente, em uma caixa-preta.
E o mais grave: tudo isso ocorre sob o completo silêncio institucional da Câmara Municipal. Os vereadores parecem incapazes de exercer o papel mais básico do mandato popular: fiscalizar. Não enfrentam. Não questionam. Não cobram. Preferem a zona confortável das homenagens e das sessões burocráticas dos títulos de cidadão, sem utilidade prática para a população.
Os deputados votados em Bacabal seguem a mesma linha: discursos vazios na Assembleia Legislativa do Maranhão, fotos sorridentes e pouca ou nenhuma defesa concreta dos interesses do povo bacabalense.
O resultado disso tudo é devastador: uma cidade administrada sem pressão popular, sem fiscalização efetiva e sem indignação coletiva.
A gestão pública passou a depender menos de resultados e mais de curtidas.
Enquanto isso, princípios constitucionais básicos da administração pública — Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência — o famoso LIMPE — são tratados como peças decorativas da Constituição Federal.
Bacabal vive hoje um fenômeno perigoso: a substituição da boa gestão pela boa aparência digital.
E talvez a frase mais dura seja também a mais verdadeira: nossos políticos são fracos porque descobriram que grande parte do povo se tornou pouco exigente.
Uma sociedade que aceita lama nas torneiras, animais nas ruas, falta de transparência e abandono urbano sem reação coletiva acaba ensinando aos maus gestores que quase tudo é permitido.
Bacabal precisa acordar.
Precisa voltar a cobrar.
Precisa compreender que prefeito não é influenciador digital, vereador não é figurante político e deputado não pode sobreviver apenas de fotografia e discurso decorado.
Uma cidade sem indignação é terreno fértil para administrações medíocres.
E o povo bacabalense merece muito mais do que propaganda.
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