Para mim, Bacabal não é apenas um ponto no mapa ou um nome repetido nas placas da BR.
És memória viva, dessas que se renovam em cada fotografia antiga, em cada arquivo de vídeo restaurado pela nova tecnologia.
És o cheiro da chuva na terra quente, o barulho manso das águas maltratadas do Mearim, és o eco das vozes dos amigos e parentes que já partiram, mas ainda insistem em conversar com a nossa saudade.
Aqui estão fincadas as raízes da minha vida: família, amigos, trabalho… e tudo aquilo que não se explica, apenas se sente. Cada rua guarda um pedaço da infância que não volta, mas também não vai embora. Cada esquina ainda sabe nossos nomes e relembra as travessuras e romances da juventude.
Mas há um silêncio estranho que nos atravessa.
A princesa do Mearim parece cansada. Suas madrugadas já não são de serenata, mas de sobressalto. Sua juventude, antes promessa, hoje resiste entre sombras que não deveriam existir. E o velho rio… ah, o Mearim… segue carregando não só águas, mas feridas abertas pela mão descuidada dos próprios filhos.
“Cadê Bacaba, cadê?” — perguntam os poetas Abel, Paulo e Zé.
E a pergunta não é apenas deles. É nossa.
Talvez a velha Bacabal não tenha ido embora. Talvez esteja apenas esperando que sua gente se reconheça nela outra vez. Que a gente entenda que cidade não se herda — se constrói. Que não se ama só na lembrança, mas na atitude. Não é saudade do que foi. É urgência do que pode voltar a ser.
Porque Bacabal não precisa de "pai na mídia", ditos salvadores de fora. A cidade precisa do orgulho de dentro. Precisa que seus filhos deixem de apontar o dedo ou aplaudir enredos e comecem a cuidar melhor de suas escolhas.
Há beleza ainda, escondida atrásdas ruas sujas e do matagal nas calçadas. Há força ainda, esmorecida pela grana do crime que ameaça bacabalenses de bem. Há futuro ainda.
E que neste aniversário de 106 anos, não seja apenas o tempo a passar, mas um marco de consciência. Que cada bacabalense olhe para essa terra e diga, sem medo e sem dúvida:
— Eu também sou responsável por ti.
E que, assim, pouco a pouco, possamos vê-la renascer. Não como lembrança… mas como eesperança real de uma Bacabal renovada, sem maquiagens virtuais.

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