
Bacabal vive a política do cabresto moderno: emprego temporário em troca de silêncio
Bacabal atravessa uma das fases mais duvidosas de sua vida pública. E talvez muita gente ainda não tenha percebido a gravidade do que está acontecendo.
Há mais de dez anos o município não realiza concurso público. Uma década inteira sem abrir oportunidades para a população, sem garantir igualdade de acesso ao serviço público e sem respeitar os princípios constitucionais da administração pública.
Enquanto isso, cresce o número de contratações precárias, temporárias e politicamente convenientes. É corrupção disfarçada de favor.
O modelo é perverso.
Em vez de concurso, a prefeitura alimenta uma estrutura de dependência política. O cidadão deixa de ser servidor concursado com estabilidade e direitos para se transformar em refém eleitoral da boa vontade do governante de plantão. O emprego deixa de ser resultado de mérito e passa a funcionar como instrumento silencioso de controle político.
O prefeito Roberto Costa parece ter compreendido perfeitamente a força eleitoral desse mecanismo: quanto maior o número de contratados dependentes da prefeitura, maior o exército de pessoas acuadas pelo medo de perder o sustento.
Isso não fortalece a cidade.
Isso enfraquece a democracia.
Uma gestão pública que substitui concursos por contratos políticos cria um ambiente de submissão coletiva. Muitos deixam de reclamar, de denunciar e até de exercer sua liberdade de expressão por medo de perseguição ou demissão.
É o cabresto moderno travestido de oportunidade.
E onde está o Ministério Público do Estado do Maranhão diante dessa situação?
A sociedade observa em um transe preocupante, cego pela propaganda enganosa das redes sociais. Ainda mais grave quando já existe decisão judicial determinando a realização de concurso público e, mesmo assim, o prefeito insiste em não cumprir.
Decisão judicial não é sugestão. Não é conselho. Não é peça decorativa do Poder Judiciário. É ordem.
Quando uma decisão judicial é ignorada pelo poder público sem consequências concretas, instala-se uma mensagem devastadora para a sociedade: a de que autoridades políticas podem descumprir a lei sem maiores consequências.
Se a prefeitura insiste em descumprir decisão judicial, torna-se indispensável a aplicação de multa pessoal diretamente ao gestor responsável. Não ao município apenas. Não ao contribuinte. Mas ao agente político que deliberadamente deixa de cumprir aquilo que a Justiça determinou.
Porque quando a punição não alcança quem decide, o descumprimento vira estratégia administrativa.
O mais assustador é perceber como parte da sociedade parece anestesiada diante dessa realidade. Muitos já passaram a enxergar como “normal” uma cidade viver mais de dez anos sem concurso público enquanto contratos temporários se multiplicam em períodos politicamente convenientes.
Não é normal.
Nunca foi.
E não pode continuar sendo.
As eleições municipais ainda estão distantes. Mas a pressão popular não precisa esperar calendário eleitoral. A população possui hoje um instrumento poderoso nas mãos: a voz nas redes sociais.
É preciso cobrar.
É preciso expor.
É preciso romper o medo.
Toda transformação política começa quando o povo deixa de sussurrar nos grupos privados e passa a falar publicamente. Governos temem a indignação organizada porque ela desmonta a propaganda e revela a realidade.
Bacabal precisa reaprender a protestar.
Precisa reaprender a fiscalizar.
Precisa reaprender que emprego público não é favor político — é matéria constitucional.
O silêncio só interessa aos que lucram com a dependência e com a fragilidade institucional.
Chegou a hora de colocar a boca no trombone.
Deixe seu comentário.
A omissão de hoje pode custar o futuro de toda uma geração de bacabalenses.
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