17/05/2026

Havengate:

O fundo na mira da PF que conecta Vorcaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro

 Fundos  com sede no Texas recebeu pelo menos US$ 2 milhões em recursos de empresa ligada a Vorcaro

Um fundo offshore com sede no Estado americano do Texas está no centro de uma nova linha de investigação da Polícia Federal (PF).

Os investigadores apuram se recursos repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teriam sido usados para custear o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

Na quarta-feira (14/5), em entrevista à GloboNews, Flávio negou que o dinheiro tenha sido direcionado a Eduardo, reafirmando que o recurso teria sido integralmente destinado à produção do filme Dark Horse, cinebiografia sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

"Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme", disse Flávio.

Na sexta-feira, o senador voltou a negar que parte do dinheiro tenha sido usado para bancar despesas do irmão, acrescentando que Eduardo sobrevive de uma doação feita pelo pai e de reservas próprias.

Eduardo vive nos EUA desde fevereiro de 2025. Na última segunda-feira (11/5), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação do deputado federal cassado por coação no curso de processo, por ter articulado, a partir daquele país, sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, numa tentativa de influenciar o resultado do julgamento de Jair Bolsonaro por golpe de Estado.

Em 2025, Jair Bolsonaro enviou R$ 2 milhões a Eduardo nos Estados Unidos, no que foi considerado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) à época como um indício concreto da articulação entre pai e filho com o objetivo de interferir na atuação do Judiciário brasileiro.

Eduardo também negou ter recebido recursos de Vorcaro. 

"A história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é tosca. Não exerci qualquer posição de gestão ou emprego no fundo, apenas cedi meus direitos de imagem", escreveu, nas redes sociais.


Após a declaração de Eduardo, no entanto, o site Intercept Brasil publicou uma nova reportagem, afirmando que o ex-deputado teria atuado como produtor-executivo de Dark Horse, segundo um contrato assinado por ele e diálogos obtidos com exclusividade pelo veículo de imprensa.

O contrato de produção ao qual o Intercept teve acesso, datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos EUA, como produtora, e Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) à frente da produção-executiva da cinebiografia.

Trecho do contrato obtido pelo Intercept:

CONSIDERANDO que a GOUP ENTERTAINMENT LLC e MARIO LUIS FRIAS, obtiveram os direitos de história de vida do JAIR MESSIAS BOLSONARO para a produção e iniciou as atividades iniciais relacionadas com a produção e desenvolvimento de longa metragem “O Capitão do Povo” (o "Filme");

CONSIDERANDO que a GOUP ENTERTAINMENT LLC, a produtora, MARIO LUIS FRIAS e EDUARDO NANTES BOLSONARO, a quem se designa como produtores executivos, desejam celebrar um acordo de produção determinando clausulas que regerão o desenvolvimento, pré-produção, produção do filme e pós-produção; e

Crédito

Legenda da foto,
Contrato obtido pelo Intercept traz Mario Frias e Eduardo Bolsonaro como produtores executivos do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro, na época intitulado O Capitão do Povo, e não Dark Horse

"Os registros contradizem afirmações feitas por Eduardo Bolsonaro (...) sobre sua relação com o filme e colocam o deputado federal cassado como uma peça-chave com poder na tomada de decisões, inclusive financeiras, sobre o filme que conta a história do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro", afirma a reportagem. 


"Também mostram que Eduardo omitiu sua conexão com a busca de dinheiro para financiar o filme ao dizer, em post feito no Instagram, que apenas cedeu seus direitos de imagem e não exerceu qualquer cargo de gestão em Dark Horse."

Ao Intercept, a defesa de Mario Frias afirmou que "Eduardo Bolsonaro não é e nunca foi produtor-executivo da produção do filme Dark Horse" e "nunca recebeu qualquer quantia do fundo de investimento cujo produto privado final é o filme".

Já Eduardo afirmou que investiu R$ 350 mil em recursos próprios no início da produção do longa, mas que depois foi reembolsado após a entrada de investidores na produção. Ele disse que, naquele momento, atuava como diretor executivo do projeto.

"Quando a estrutura passou a ser uma estrutura de fundo de investimento, começou a ter outra estrutura, eu saí dessa posição de diretor executivo, que era o contrato antigo com a produtora. Passei então a ser somente uma pessoa que assinou a sua seção de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme", disse, em vídeo publicado nas redes sociais.


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