A jornalista Dora Kramer mostra aos leitores do Jornal Folha de São Paulo como Lula enfrenta parada indigesta ao partir para disputa com o Parlamento.
Ela diz que "Convites de presidente de República habitualmente não se recusam, ainda mais quando dirigidos a autoridades que estão na mesma cidade e sem afazeres que as impeçam de comparecer. A não ser que as ausências contenham significado e recado explícitos de contrariedade.
Foi assim interpretada a decisão dos presidentes da Câmara e do Senado de faltar à cerimônia de assinatura da lei de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000."
A jornalista acredita que o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP) conseguiram que as ausências tivessem mais destaque que o projeto.
Ela pode ter razão, pois a história nos conta que, na vigência da democracia, nenhum presidente da República se sustenta em contraposição acentuada ao Congresso Nacional. Seja porque pode ficar vulnerável ao extremo de um impeachment — o que não é o caso — quanto se tornar alvo de derrotas constantes ao ponto da ingovernabilidade, como tem acontecido.
Se por um lado o PT ganha popularidade ao se colocar contra os deputados, queimados com o povo, por outro, o Parlamento como instituição, é o dono do jogo e, portanto, cabe ao presidente calibrar os lances a fim ao menos de conseguir um empate.
"Lula não está se comportando assim, simplesmente porque trocou as tarefas de Estado pelas ações de candidato. Como tal, demarca terrenos no intuito de ganhar a parada", completa Dora.
E ela conlui:
Embora a campanha eleitoral já tenha começado, ainda há mais de um ano de governo. É muito chão para o presidente achar que a batalha está ganha. Motta e Alcolumbre não tiveram oponentes nas eleições para Câmara e Senado, são de partidos de oposição e se identificam ideologicamente na maioria.
Lula não tem nada a ganhar e pode ter muito a perder se não descer do palanque para se dar ao sacrifício do beija-mão.

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