Pular para o conteúdo principal

ESPAÇO ABERTO

Por Osmar Gomes dos Santos – Juiz de Direito na Comarca da Ilha de São Luís (MA). 

Lições da COP 30

 A intenção de reunir líderes mundiais para debater medidas que possam contribuir para a redução da degradação ambiental sempre será louvável. Falar de meio ambiente é plantar sementes na consciência das gerações. Por falar em futuro, já não devemos pensar em preservar pensando no amanhã, visto que os efeitos já são sentidos aos quatro cantos do globo. Já sentimos todos os efeitos e as intervenções para frear essa problemática precisam ser efetivas e colocadas em prática para já. Não pelo fato dos efeitos devastadores já nos alcançar, quando imaginávamos, há pouco tempo, que chegariam apenas às gerações futuras. Mas em função de podermos constatar, inclusive aqueles mais céticos, que aquilo que ambientalistas vêm dizendo já há algum tempo não é mero discurso retórico. Trata-se de avisos, sinais, devidamente fundamentados na ciência. Não devemos tomar tais especialistas e seus estudos como mensageiros do caos. Ainda que quiséssemos, seria incoerência esse caminho, diante da constatação dos problemas atuais.


Por conseguinte, estudos e pesquisas servem para refletirmos, especialmente lideranças globais, que parecem muito mais preocupadas com o recorte no discurso e a pose para foto que vão alimentar uma posição de engajamento com a causa mundo afora. Neste tocante, é lamentável ausência de uma potência como os Estados Unidos, cuja história o posiciona como maior poluidor e no cenário atual só está atrás da China, outra potência que ainda não dá sinais claros de redução na emissão de gases poluidores.


Em relação ao amigo do Oriente, apesar de um forte plano de transição para energia limpa em curso, cumpre destacar que a mudança é bancada com um alto custo para o meio ambiente, à base da queima do carvão mineral, um dos componentes mais danosos ao planeta Terra. Custo este que não poderá se estender a outras nações. Imagine se, pelo menos, outros dez países iniciarem um processo de crescimento no padrão chinês… A Terra, certamente, sucumbiria. A capacidade de renovação é incompatível com as agressões que lhe são feitas diariamente.


Nesse sentido – muito mais que poses, discursos, sorrisos, apertos de mão e promessas para formação de um fundo que já se mostra insuficiente -, é preciso compromisso com o corte no uso de combustíveis fósseis emissões, desmatamento, queimadas. De que valerão alguns bilhões de reais (ou dólares) que não poderão comprar o ar puro, a água potável, a floresta densa, o solo fértil, os rios caudalosos e cheios de vida? Não são produtos que estão em uma prateleira, cuja compra e reposição se resolvem com a assinatura de um cheque.


Bem como se costuma dizer, há situações em que o dinheiro muito vale tanto quanto o pouco. Pensemos, por exemplo, um paciente em estado terminal de câncer, já desenganado pelos médicos. Do que valerá uma conta pomposa que não poderá lhe devolver a saúde? Assim caminha a Terra, em um corredor que a leva diretamente para a UTI, de onde cifras não poderão mais retirá-la. No rol de incoerências, por que não citar aquela do país anfitrião? Protagonista, o Brasil vai muito bem de retórica, enquanto tenta freneticamente avançar com a exploração do petróleo na foz do Amazonas, mesmo diante de estudos que mostram impactos danosos.


O petróleo traz desenvolvimento? Possível que sim. O dinheiro compra muita coisa. Mas, ao analisar toda nossa riqueza e a possibilidade de exploração dela, fica mais uma pergunta: não já temos riqueza suficiente para explorar de forma sustentável em nosso país? Precisamos mesmo do ouro negro para bancar nossa transição energética?


Acompanho eventos, debates e ações visando à preservação ambiental desde a Eco-92, evento realizado na Cidade Maravilhosa, para debater justamente os danos ambientais trazidos pelo dito desenvolvimento, especialmente pelas grandes nações. O que mudou de lá pra cá? Muita coisa, óbvio! Mas para pior. Entramos na pior fase do aquecimento global e os sintomas vem sendo demonstrados pelo planeta nas mais diversas oportunidades.


Atualmente, a COP é realizada anualmente, com investimentos de milhões (às vezes bilhões) de reais pelo país anfitrião. Espera-se, minimamente, que haja verdadeiramente compromisso com a pauta, a fim de que possamos tirar soluções concretas e garantir a possibilidade de sonharmos com algum futuro.

Fonte: publicado originalmente na coluna Opinião do Jornal O imparcial de 16 de novembro de 2025.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CPI DO INSS

 Para quem viajou para Marte e não sabe quem é o Careca do INSS leia a matéria CARECA DO INSS PRESO . Para quem já leu, eu lembro que a Senadora Eliziane Gama bateu boca com o presidente da CPMI quando ele levantou suspeitas sobre sua irmã ( relembre aqui ) Só pra fechar o momento TBT eu lembro que um deputado estadual e um senador do Maranhão também estão sendo acusado dessa roubalheira. Veja a seguir.  A investigação começou na Controladoria Geral da União e ganhou força na CPMI do INSS. null Dep.Estadual Edson Araújo  A grande espectativa é se a CPMI terá sessão presencial no Maranhão a pedido de Duarte Júnior (PSB) e se o deputado estadual Edson Araújo será investigado ( LEIA AQUI ).  Senador Weverton Rocha  Ao todo, 19 pessoas seguem sob investigação e até o senador  Weverton Rocha  pode está envolvido no esquema, segundo denúnciado deputado Kim Kataguiri.  SAIBA ➕️ AQUI.

CPMI DO INSS

Ex-dirigente do INSS nega ter cometido irregularidades em depoimento à CPMI Em depoimento à CPMI do INSS, o ex-coordenador Jucimar da Silva negou participação na autorização de descontos associativos, afirmando atuar apenas na folha de pagamento.  Ele disse não ter indicação política e que seus pareceres eram técnicos.  O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), contestou, citando saltos nos descontos ilegais e pareceres favoráveis a entidades investigadas, como Conafer e Contag. Suspenso da função por ordem da Justiça, Jucimar reiterou que não tinha poder decisório. Ouça a reportagem da Rádio Senado:

BOULOS CONTRARIA JANJA

  Boulos contraria Janja e bateu o martelo sobre quem comandará a Secretaria de Juventude, pasta mais importante de seu ministério. A escolhida foi a pernambucana Vitória Genuíno, integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Ou seja, a nova comandante da Juventude será do grupo Boulos. S egundo fontes do Palácio do Planalto, Janja tentava, desde o início do terceiro mandato do marido, emplacar como secretário o influenciador René Silva, fundador do jornal comunitário “Voz das Comunidades”. Agora é esperar pra saber se a primeira dama vai aceitar essa puxada de tapete.