24/03/2026

A POLARIZAÇÃO ANULA O BOM POLÍTICO

Foto: jonathan Campos/AEN 

Ratinho Junior desiste de disputar a Presidência da República e seguirá no governo até 31 de dezembro de 2026. 

O governador do Paraná, Ratinho Júnior, diz que continuará à disposição do PSD para “ajudar o Brasil virar a página do atraso”. 

A frase é forte, mas o gesto é ainda mais eloquente: mesmo com índices de aprovação superiores a 80% no seu estado, ele opta por não disputar a Presidência da República. 

A pergunta que se impõe é inevitável — por que um político bem avaliado, com capital eleitoral consolidado, decide recuar?

A resposta não está na falta de força, mas no excesso de distorção do ambiente político nacional. O Brasil de hoje não premia o bom gestor, o administrador eficiente ou o político equilibrado. Premia, antes, aqueles que conseguem se encaixar em uma narrativa de confronto. E é justamente aí que a polarização atua como uma força destrutiva: ela não seleciona os melhores — seleciona os mais úteis ao conflito.

Ratinho Júnior percebeu o que muitos ainda resistem em admitir. Sua alta aprovação no Paraná não se traduz automaticamente em viabilidade nacional. Fora do seu estado, seu nome ainda é pouco conhecido e, mais grave, não se encaixa com facilidade nos extremos ideológicos que dominam o debate público. Em uma eleição presidencial, isso não é uma virtude — é um problema.

Além disso, havia uma ameaça concreta no seu próprio território: o avanço político de Sergio Moro ao governo estadual, com apoio de setores relevantes da direita nacional. Ao deixar o Paraná para disputar o Planalto, Ratinho correria o risco de perder o controle político do estado. Optou, portanto, por preservar sua base, seu legado e seu futuro.

Mas ele não está sozinho nesse movimento silencioso de recuo.

Outros governadores bem avaliados enfrentam o mesmo dilema. Romeu Zema e Ronaldo Caiado, por exemplo, surgem como nomes naturais para uma alternativa de centro-direita. Ainda assim, ambos esbarram na mesma barreira: a dificuldade de romper a lógica binária que domina o país. Não por acaso, cresce nos bastidores a possibilidade de que optem por caminhos mais seguros, como a disputa pelo Senado, onde o risco é menor e a previsibilidade maior.

O que se desenha, portanto, é um cenário preocupante: os melhores quadros recuam, enquanto os mais polarizadores avançam.

E o resultado disso é conhecido — e desalentador.

Caminhamos para mais uma eleição em que o debate público será sequestrado por narrativas extremadas, com pouco espaço para propostas consistentes ou projetos de país. 

  • De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva, cuja trajetória recente inclui condenações posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, mas que permanece cercado por figuras associadas a escândalos de corrupção que marcaram seu ciclo político. 
  • De outro, a possibilidade de um nome ligado à família Jair Bolsonaro — como Flávio Bolsonaro — cuja trajetória também é acompanhada por investigações e controvérsias, inclusive no caso conhecido como “rachadinhas”, além de questionamentos envolvendo movimentações financeiras.

Não se trata aqui de absolver ou condenar, mas de constatar:

o Brasil está preso a um ciclo onde os extremos se alimentam mutuamente, enquanto alternativas mais equilibradas são empurradas para fora do jogo.

A decisão de Ratinho Júnior é, nesse contexto, quase um diagnóstico. Não é a política que está sendo abandonada — é o modelo atual que está expulsando os que não se submetem à lógica da guerra permanente.

E isso deveria preocupar mais do que qualquer candidatura.



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