É difícil acreditar que, em pleno século XXI, ainda seja necessário explicar a representantes eleitos pelo povo que trabalhadores não pertencem aos seus patrões e que ninguém pode ser perseguido, ameaçado ou demitido simplesmente por escolher este ou aquele candidato.
As manifestações atribuídas à deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) e à parlamentar paranaense conhecida como Jessicão são de uma gravidade impressionante.
Incentivar empresários a investigar redes sociais de funcionários para descobrir em quem votaram ou quais posições políticas defendem não é apenas um comportamento lamentável. É a expressão de uma mentalidade autoritária e profundamente atrasada sobre as relações de trabalho.
Não estamos na Idade Média.
Empresários não são senhores feudais. Trabalhadores não são vassalos obrigados a demonstrar fidelidade política ao dono da empresa para manter o emprego.
O contrato de trabalho compra a força de trabalho de uma pessoa durante determinado período e nas condições previstas em lei. Não compra sua consciência, seu voto, suas opiniões, suas convicções ou sua cidadania.
Por isso, causa indignação assistir a parlamentares — pessoas que deveriam conhecer e defender a Constituição — tratando a relação entre patrão e empregado como se fosse uma relação de submissão política.
No caso da deputada Índia Armelau, a Justiça do Trabalho determinou a retirada das publicações nas quais ela teria incentivado empresários a consultar as redes sociais de seus funcionários para identificar eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão também determinou que ela se abstenha de novos incentivos à discriminação ou à dispensa de trabalhadores por suas escolhas políticas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.

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