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A TRAMA NA BOLÍVIA QUERIDA

A verdade por trás plano de “impeachment” e a blindagem estatutária no Sampaio Corrêa.




Nos últimos dias, o Sampaio Corrêa Futebol Clube virou palco de uma intensa guerra de narrativas fora de campo que confunde o torcedor e expõe uma fratura política na instituição.

Nos últimos dias, o Sampaio Corrêa Futebol Clube virou palco de uma intensa guerra de narrativas fora de campo que confunde o torcedor e expõe uma fratura política na instituição. De um lado, um grupo de oposição liderado pelo vice-presidente jurídico, Perez Paz, anuncia uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para o próximo domingo (7) com o objetivo de destituir o presidente Sérgio Frota. Do outro, a assessoria do clube emite nota oficial tratando o movimento como ilegítimo.
No entanto, uma análise fria do Estatuto Social do clube e da realidade dos fatos contesta ambas as versões. Nem a oposição tem o poder jurídico imediato que alega ter, nem a diretoria pode simplesmente apagar a existência de uma crise institucional legítima.

A Ilusão do Impeachment: Por que a Assembleia da oposição carece de força legal imediata
A oposição afirma que, com base no Artigo 20 do estatuto, a assinatura de 1/5 dos sócios plenos (80 de 232) é suficiente para convocar uma AGE e afastar a atual diretoria. Mas a realidade jurídica não é tão simples.
Fontes jurídicas consultadas pela reportagem alertam que a oposição está pulando etapas fundamentais e distorcendo o texto estatutário por conveniência política:
Rito Processual Amplo: O Estatuto do Sampaio Corrêa, alinhado à legislação civil brasileira, exige o cumprimento do devido processo legal e do direito à ampla defesa. Uma Assembleia Geral não tem o poder de destituir um presidente eleito (reeleito para o quadriênio 2026-2029) de forma sumária em um domingo de manhã sem a conclusão de um processo administrativo prévio e fundamentado.
A oposição se apoia no Artigo 33 para dizer que o vice-presidente pode representar o clube na ausência do presidente. Todavia, usar esse dispositivo para validar uma reunião que visa derrubar o próprio presidente — que está em pleno exercício do cargo — é uma interpretação forçada e juridicamente frágil, que fatalmente seria anulada na Justiça Comum.
Portanto, vender a ideia de que Sérgio Frota poderá ser destituído no próximo domingo é um factoide político para pressionar a gestão, e não uma realidade jurídica iminente.


O Negacionismo da Diretoria: Nota oficial tenta tapar o sol com a peneira
Se a oposição peca pelo excesso e pelo atropelo das normas, a nota oficial emitida pelo Sampaio Corrêa peca pelo negacionismo. Ao classificar implicitamente o movimento como uma espécie de “fake news” ou manifestação isolada de terceiros, o clube tenta deslegitimar um direito que o próprio estatuto garante aos seus associados.
O fato incontestável: 1/5 dos sócios plenos tem, sim, o direito de exigir a convocação de uma AGE. Tratar a assinatura de 80 sócios legítimos como “movimentação de terceiros que não produz efeitos” é um erro estratégico que demonstra centralismo e falta de diálogo.
Ao invés de contra-atacar a oposição com os argumentos jurídicos corretos, a atual gestão preferiu se blindar atrás da recente classificação antecipada no mata-mata da Série D e do recadastramento de sócios, usando o bom momento do futebol como cortina de fumaça para uma crise política que é real e evidente.

O Cenário Real: O que de fato vai acontecer?
O que se desenha para os próximos dias não é a queda de Sérgio Frota e nem a pacificação do clube, mas sim uma longa batalha judicial.
O edital da oposição promete ser publicado nesta terça-feira (2). Caso se confirme, a tendência é que a diretoria do Sampaio Corrêa acione o Poder Judiciário para barrar a realização da Assembleia no Turu, alegando vício de forma e falta de competência legal dos organizadores.
No comando do clube desde 2007, Frota enfrenta, sim, um desgaste político inédito vindo de dentro de sua própria diretoria (através de seu vice). Porém, derrubar o dirigente mais longevo da história do clube exigirá muito mais do que uma reunião sindical em um domingo de manhã; exigirá provas robustas e um processo que a oposição, até o momento, não apresentou.

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