O Espaço aberto dessa semana trás uma interessante visita ao futuro, sem perder a veia crítica que sempre acompanha o nosso colunista.
Tenha um bom final de semana e aproveitem a leitura em:
UMA CIDADE CHAMADA
NEOM
![]() |
| Júnior Pacífico de Paula – Engenheiro – Empresário – Ambientalista |
Em 1960, o preço do barril (159 litros) de petróleo
era extremamente baixo, variando entre $1,30 a $1,80
dólares. Porém os países produtores, a Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados
Árabes Unidos, Kuwait e a Venezuela, se reuniram em torno de uma organização
chamada OPEP (Organização dos Países Produtores de Petróleo), com o intuito de
diminuir a oferta do produto e obtiveram um resultado incrível no aumento do
preço do petróleo, chegando à máxima histórica de 147 dólares em julho de 2008.
Atualmente o produto é cotado entre $60 e $80
dólares, estes países produtores se tornaram riquíssimos, com os chamados
petrodólares irrigando suas economias. Porém, sabendo que em algum dia suas
reservas iriam se exaurir, começaram então a diversificar seus investimentos,
assim surgiu a incrível cidade de Dubai.
A Arábia Saudita sempre foi o principal exportador
de petróleo do mundo, seu fundo de investimento público deve atingir 2 trilhões
de dólares em 2030, de posse dessa montanha de dinheiro, resolveram construir
uma cidade chamada NEOM.
A palavra Neom significa “novo futuro”. Vem do grego neo (novo) e a letra M vem da palavra
árabe mostaqbal, que representa o
futuro. Para quem acha que Dubai é o suprassumo da riqueza, ostentação e poder,
a cidade de Neom está em um patamar bem mais elevado, em termos de tecnologia,
riqueza e visão futurística. Além de ser absolutamente sustentável, como também
será uma megacidade, com o tamanho aproximado da Bélgica, será localizada na
região de fronteiras entre a Arábia Saudita, Jordânia e o Egito, às margens do
Mar Vermelho, com a pretensão de ser o maior centro comercial do mundo, como
também o maior centro aeroportuário.
O projeto é dividido em 4 partes, que são: Sindalah, Trojena,
Oxagon e The Line.
✓
Sindalah:
Trata-se de uma ilha de luxo, onde será construída a maior marina do mundo,
destinada aos super iates dos bilionários.
✓
Trojena:
É uma região montanhosa, onde serão construídos hotéis e resorts ultra luxuosos, onde além de um imenso lago de água doce,
será construída uma imensa estação de esqui, que funcionará durante todo o ano,
tudo isso em pleno deserto.
✓
Oxagon:
Será uma enorme ilha flutuante, a maior do mundo, localizada no Mar Vermelho,
onde se construirá um mega complexo portuário, no qual se acredita que irá
passar 13% de todo comércio marítimo internacional, onde se pretende implantar
um enorme centro de desenvolvimento de tecnologias avançadas e limpas.
✓
The Line:
Uma cidade linear, sem cruzamentos, sem estradas, sem carros, sem emissões de
poluentes. Será 100% movida a energia renovável, é uma cidade planejada para 9
milhões de pessoas, terá uma única construção com 170 quilômetros de extensão e
uma altura de 500 metros, os moradores vão usufruir de um clima perfeito o ano
todo, vão contar também com uma lua e um sol artificiais. Esta megacidade será
um grande centro de dados e um local para instalação de Data Centers.
Este projeto já começou a ser construído em 2022, com
a primeira fase prevista para ser concluída em 2030 e toda obra deve estar
finalizada em 2045, o custo inicial é de mirabolantes 1 trilhão de dólares,
podendo chegar a 3 trilhões, ou seja, uma vez e meia o PIB (Produto Interno
Bruto) do Brasil, que é o somatório de toda riqueza gerada no Brasil durante um
ano, a título de comparação com este dinheiro, se poderia construir 8.000
estádios de futebol do tamanho do Maracanã.
Diante de um projeto capaz de consumir trilhões de
dólares para criar uma cidade considerada perfeita, surge uma pergunta
inevitável: esse futuro será para todos ou apenas para poucos? Neom talvez não
represente apenas o avanço da tecnologia, mas também o retrato de um mundo onde
o futuro é cuidadosamente planejado, porém seletivo. Enquanto algumas nações
projetam cidades do futuro, outras ainda lutam para garantir necessidades
básicas à sua população. Estaríamos caminhando para um mundo mais avançado ou
apenas mais desigual?

Nenhum comentário:
Postar um comentário