Lula exalta trajetória e foca em mulheres; Flávio defende pai e "exilados"
Candidatos escolheram palcos históricos de suas trajetórias políticas para dar o pontapé inicial das campanhas à Presidência

Lula e Flávio lançaram campanhas diante de seus eleitores
Reuters/Montagem
A corrida pela Presidência da República em 2026 teve seu início oficial neste domingo (16) com os lançamentos das campanhas em diferentes regiões do país.
Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escolheu o berço do movimento sindical para reforçar sua história e a pauta feminina, o senador Flávio Bolsonaro (PL) ocupou a orla de Copacabana para se posicionar como herdeiro político do pai e prometer o retorno de aliados que deixaram o país e de condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023.
Lula lidera primeiro turno, mas empata com Flávio Bolsonaro no segundo, aponta Palver
Primeira pesquisa da Palver também mostra presidente e senador com os maiores índices de rejeição, em 52% e 51%, empatado tecnicamente

O primeiro levantamento da Palver sobre a corrida presidencial, divulgado nesta segunda-feira (10/8), mostra uma disputa cada vez mais concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os dois reúnem 80% das intenções de voto espontâneas e iniciam oficialmente a campanha como os principais polos da disputa. Nos cenários estimulados, Lula aparece à frente, mas sem uma vantagem folgada. No segundo turno, Flávio Bolsonaro consegue concentrar a maior parte do campo oposicionista e empata numericamente com Lula.
No primeiro turno, Lula aparece numericamente à frente de Flávio nos dois cenários estimulados testados pela consultoria. No primeiro, o presidente tem 44%, contra 40% do senador, enquanto Renan Santos aparece com 10%. No segundo, com uma lista mais enxuta, Lula avança para 45%, enquanto Flávio permanece em 40% e Renan mantém os mesmos 10%
Nos principais recortes, Lula apresenta desempenho crescente com a idade e a renda, chegando a 56% de preferência entre eleitores com 60 anos ou mais e a 49% entre os de renda superior a cinco salários mínimos. Também lidera entre mulheres (53%) e eleitores com ensino superior (56%).
Flávio Bolsonaro, por outro lado, tem desempenho relativamente mais equilibrado entre faixas etárias, mas perde força entre os mais escolarizados e de maior renda, nos quais registra 28% e 27%, respectivamente.
Regionalmente, o mapa também é bastante distinto. Lula apresenta seus melhores resultados no Nordeste, com 60%, e no Norte, com 43%, enquanto Flávio Bolsonaro tem desempenho mais forte no Sul, com 48%, no Centro-Oeste, com 47%, e no Sudeste, com 42%.
No quesito religião, Lula alcança 52% das intenções de voto entre católicos e 64% entre eleitores sem religião, mas cai para 25% entre os protestantes/evangélicos. Flávio Bolsonaro faz o movimento inverso: chega a 59% entre evangélicos, contra 39% entre católicos e apenas 15% entre os eleitores sem religião. O cruzamento, portanto, sugere que a clivagem religiosa permanece relevante para a formação dos dois eleitorados, sobretudo na vantagem de Flávio entre evangélicos.
Entre os independentes, a disputa é mais aberta: Lula tem 31%, Flávio 29% e Renan 28%. O dado mostra bases ideológicas consolidadas para os dois principais candidatos, mas também um eleitorado independente dividido, com leve vantagem dos nomes de direita.
Empate numérico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
No segundo turno, porém, a fotografia muda substancialmente. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, os dois aparecem empatados numericamente, com 46% para cada um, enquanto 8% se dividem entre votos brancos, nulos, eleitores que não votariam e os que não sabem.
O resultado produz uma disputa significativamente mais equilibrada do que a observada no primeiro turno e mostra que a vantagem de Lula na primeira etapa não se converte, neste momento, em vantagem sobre Flávio no confronto final.
A vantagem de Lula no segundo turno aparece quando o adversário é outro nome da direita. Contra Romeu Zema (Novo), o presidente marca 46%, ante 39% do governador, enquanto contra Ronaldo Caiado (PSD) o placar é de 45% a 38%. Diante de Renan Santos, a vantagem é ainda maior: Lula tem 46%, contra 31% do candidato do Missão. Nesse cenário, porém, cresce a parcela de eleitores que declara que não votaria, indicando maior dificuldade de Renan em mobilizar o eleitorado de direita num eventual confronto direto com o presidente.]
Empate de Lula e Flávio Bolsonaro também na rejeição
A rejeição coloca Lula e Flávio em um mesmo patamar elevado, em situação de empate técnico: 52% dizem que não votariam de jeito nenhum no presidente, ante 51% que rejeitam Flávio. Na sequência aparecem Romeu Zema, com 43%, Ronaldo Caiado, com 41%, e Renan Santos, com 37%.
A concentração das maiores taxas entre os dois principais candidatos reforça o caráter polarizado da disputa: Lula e Flávio são, ao mesmo tempo, os nomes que concentram mais votos e os que enfrentam as maiores barreiras à expansão de seus eleitorados.
Esse equilíbrio também aparece na percepção sobre o que seria o pior resultado da eleição. 45% dizem ter mais medo de uma reeleição de Lula, enquanto outros 45% afirmam temer mais uma vitória de Flávio Bolsonaro. Os números aferidos pela Palver sugerem que a disputa não se organiza apenas em torno da preferência por um candidato, mas também de fortes sentimentos de rejeição ao adversário.
Sobre a pesquisa
A Palver entrevistou 5.000 participantes recrutados por meio de anúncios em redes sociais, entre os dias 3 e 7 de agosto. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06596/2026.


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